terça-feira, 22 de junho de 2010

Os Amigos, os Estranhos e o Paraíso

Parte 1 - Voltando pra Casa
 Eu morei fora por algum tempo, e então voltei pra minha cidade natal tendo em mente muitos projetos. Dentre eles: me formar no ensino médio, recuperar as vagas que perdi, e quem sabe conseguir também uma nova namorada, já que a anterior eu perdi pra outro cara quando me mudei.
 Nesse meio tempo alguns amigos estiveram se comunicando comigo, e reencontrá-los foi muito bom. Não posso comparar os amigos que tenho aqui e os que tenho na minha outra cidade; são interações diferentes, levarei comigo sempre. Amigos serão sempre amigos, e jamais deixarão de ser; a menos que nós causemos isso. Em qualquer lugar, não importa o dia, mês ou estação do ano; nós: seres humanos, estamos sujeitos a nos socializar, somos frágeis à solidão e precisamos de alguém para compartilhar.
 Na volta pra casa eu pensei muito sobre tudo que passei por ali, e pensei também na saudade que eu iria matar. Pouco tempo depois da minha chegada aqui, peguei o primeiro ônibus para o bairro vizinho, ancioso em fazer uma visita aos bons amigos que conheci no dia 1º de Maio de 2009. Eles não são da minha rua, nem da minha escola, alguns são como primos e outros já são da família, muitos ainda são estranhos pra mim. Nosso ambiente nos cerca de muitas regras sobre certo e errado, o que torna as ações de cada um ainda mais interessantes. A igreja é o terceiro padrão na mudança de comportamento das pessoas, perdendo apenas para a nossa casa e a escola. É, de fato, um bom lugar para se fazer amigos, sendo também o lugar mais controverso, não em relação as minhas dúvidas com a religião, mas em relação as atitudes das pessoas, dos amigos - ou não - que temem, como a morte, perder a sua santidade.
 Digo sempre que minha paciência e minha maturidade estão em constante evolução. Se você pensa que eu me acho adulto demais, saiba que as suas virtudes também estão evoluindo, e que a sua critica perante o meu comportamento é apenas um reflexo da sua infantilidade, já que você não consegue ser adulto ou suficientemente maduro como eu. Seria hipocrisia demais não querer me admitir como sou.
 Desde quando me intendo por gente, venho acompanhando a minha evolução como um ser humano e sociável, eu aprendo muito em todos os lugares que passo, e deixo guardado na minha cabeça aquilo que jamais devo esquecer. Mas admito que a igreja foi, e ainda é o lugar do meu maior crescimento; onde minha paciência e minha maturidade se desenvolvem de forma voraz e violenta.

Parte 2 - Lados da Convivência
 Meu pai sempre me orientou sobre a escolha dos meus amigos. As idéias dele soavam como coisa de gente desconfiada, mas vivendo eu percebi que esse tipo de escolha é necessária, do contrário você acaba sendo manipulado por qualquer idéia, desistindo das suas verdadeiras razões, tornando-se um fantoche nas mãos de qualquer um - ou do pior dos piores monstros.
 No meio da minha estada com essa nova turma, o tempo começou a me mostrar seu poder. O amigo que jamais me abandonou continuava do meu lado; aquela menina ingênua e desenganada estava aprendendo a lidar com os seus próprios fracassos, erguendo sua face mesmo depois de cometer o mesmo erro várias vezes. Minha líder continua linda e feliz, acompanhada do cara que hoje é a minha inspiração, por sua atitude diante de Deus e diante de nós adolescentes. A garota mais histérica se tornou minha prima, e uma das minhas melhores companhias. O tempo preservou então o que era bom, e mudou o que fosse preciso. Cada um deles tiveram as suas próprias experiências; todas elas refletiram em mim, na minha visão geral acerca de cada detalhe, e no que hoje sinto por cada um deles.

 Ao chegar perto de todos, eu consigo sentir aqueles que realmente me consideram; é por isso a palavra estranhos no título, não por alguns deles serem estranhos pra mim, mas por minhas atitudes e pensamentos não serem reconhecidos por eles como algo maduro. A maioria desses estranhos são pessoas que tenho a esperança de que um dia tornem-se meu amigos; alguns deles - sob a minha visão - são sujeitos comuns e por isso venenosos; cretinos, enganadores e charlatões, sendo estes, irônicamente, nossos amigos mais santos.
 Também conheci gente nova, e sobre estes eu não quero comentar ainda, pois não os conheço o suficiente. Desconhecidos pra mim são como um mar de fantasias, e posso esperar de tudo deles.
 Logo, minha concepção de tudo tornou-se diferente do ano passado, e o motivo é bastante simples e otário: eu me apaixonei.

Parte 3 - Paraíso
 Encarar meu sentimento por ela foi algo que me fez pensar muito; eu pensei durante tanto tempo, que só percebi o que sentia depois que eu a vi com outro cara. Depois de algumas conversas com amigos da minha confiança, partiu de mim a decisão de falar com ela; sem receios eu me declarei e hoje ela já sabe o que sinto, sendo algo forte, de difícil definição - não chamo de amor pois isso pra mim é muito sério.
 Enfrento todas as nossas diferenças da maneira que posso, não sou assim tão maduro e por isso admito ser bastante estúpido as vezes; existem muitas coisas que ela precisa ouvir, coisas que se eu pudesse eu nem diria, só pra não ter que ver aquele rostinho triste e chateado.
 Eu já me revoltei muitas vezes pelo fato de ser bobo e apaixonado por ela, mas isso é algo que eu não posso controlar e somente ela pode destruir. As amigas dela me dizem que sou corajoso; não que ela seja feia, pelo contrário! O paraíso pra mim tem o sorriso metálico e delicado dela, que ela insiste em esconder nas fotos. Sou corajoso porque estou lidando com uma personalidade forte e um temperamento docemente sanguíneo e colérico. As explosões de fúria dela me assustam, mas ao mesmo tempo sei que seria diferente se as pessoas tivessem mais compreensão com a questão pré-adolescente dela.

 O sentimento foi declarado, as conversas são sempre interminadas, minha paciência firme. Isso foi tudo que eu tive até hoje, mas ela pediu um tempo pra se recompor e eu estou só esperando; eu disse que vou esperar, eu preciso cumprir. Eu não sei o que ela pensa ou pretende, eu não conheço a vida dela pra dizer que é de mim que ela precisa, eu não sei se eu preciso mesmo estar com ela. Porém isso não é, pra mim, uma questão de necessidade, - antes fosse - mas uma questão de puro sentimento. Como dito antes: só ela pode desfazer o que eu sinto; e eu estou sem reposta.
 Estas não são consequências minhas ou dela, mas de tudo aquilo que deve acontecer para que nós estejamos maduros o suficiente para tudo. Eu não me aborreço mais por gostar tanto de toda essa situação, mas sorrio sabendo que ela aprende, eu aprendo, e que talvez nós não fomos feitos um para o outro.


 Paraíso agora está longe de mim; eu espero que me perdoe.

Parte 4 - Dados e Pedras
 Desde sempre aprendi a não revidar as pedras que me acertam, mas em guardá-las para a construção da minha fortaleza. Toda essa minha visão dos outros pertence a mim, e somente a mim; acredito que diante de tudo que observo e posso constatar, tenho um mínimo de razão naquilo que escrevo, mesmo que só eu acredite. Eu estou devidamente pronto para começar uma nova fase ao lado dessas personalidades loucas. Todos eles possuem uma importância: alguns exclusivamente pra mim, outros para as consequências que virão no futuro. A vida nunca me mandou recado, o jogo continua e os dados ainda estão rolando.

 Céu ou inferno? Só vivendo pra saber!
Continuação - clique aqui!

2 comentários:

  1. Obrigado pelas palavras tão generosas... se era sobre mim que se referia né... hasuhaus

    Vc e vcs que são minha inspiração, dão sentido à minha "missão"

    Rômulo Fegalli

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  2. Obrigada, SB.
    Se dedique, trabalhe naquilo que conversamos no fim de semana e vc chegará ao topo do mundo. Topo este, que importa a vc e seus objetivos.

    amo vc e sempre vou amar.

    Vc é uma das obstinações que me fazem seguir...

    Belle

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