quarta-feira, 11 de maio de 2011

Gente Morta

 O sangue fora saindo lentamente, escorria por todos os lados numa curta distância, até que parou. Ainda estava fresco enquanto eu observava, brilhava na luz em tons fortes. Agora - minutos depois - está estancado, como uma tatuagem pintada em vermelho. Até mesmo sua posição permaneceu artistica, e dependendo do ponto de vista, parece um tribal ou algo do gênero. Concluí que estou vivo, que a dor sentida pelo pequeno corte não se compara às minhas perspicazes observações sobre ele.

 São tantas tarefas, tanto a ser feito em tão pouco tempo. A maioria dos jovens se acostumam a levar um ritmo de rotina robótico e acabam se esquecendo da vida se acumula dentro deles. Outros nasceram com a dádiva do bom senso e sabem que apesar das imposições do mundo e da sociedade, existem também as nossas imposições, e elas devem também fazer a diferença, mesmo que por alguns segundos de uma inútil discussão.

 Correm, estudam, trabalham, se matam e desperdiçam seu suor dentro do protocolo. Seguem as regras e são direcionados pelo medo. Pensam em si mesmos, e mais ainda no que os outros vão pensar de si. Precisam urgentemente de um psicólogo, mas afirmam não ter tempo para isso; ou apenas dizem isso é coisa de doente - se ao menos soubessem quem são os doentes do século XXI. Sem exagero ou grosseria, são inúteis, dentre todos aqueles que não vivem, mas simplesmente existem. Seguem a programação da TV, das rádios, da igreja e da comunidade; não se atrasam, nunca erram e não arriscam pois seria arriscado demais. Não sabem escolher, pois afinal, não possuem opções; uma resposta fora gravada no inconsciente e será repetida sempre que perguntado: tanto faz. Certamente, vacas de presépio são mais proativas.
 Então lhe pergunto, por que não dormir um pouco? Apenas porque somos jovens? Na balança, merecemos um descanso maior, pois gastamos mais energia com tudo e todos e o estresse. Somos humanos o suficiente para entender que possuimos limites e que danem-se aqueles que não consigam entender isso. Precisamos de tempo para praticar nossos hobbies, cuidar dos nossos animais de estimação, organizar nossos projetos pessoais e enfim, respirar e sentir somente isso por ao menos um minuto.
 Estamos vivos. Talvez esta não seja a primeira vez que questiono hábitos extremos que levam pessoas à uma vegetação voluntária, mas posso afirmar de consciência limpa que todas as minha criticas estão direcionadas ao mundo e não a mim. Depois de ver tanta desgraça causada pelo falso-moralismo humano, adotei o pensamento de que: antes de criticar, seja você seu próprio exemplo. Aprenda a seguir os conselhos que você mesmo dá, a abraçar novos dias intensamente, descansando sem medo do atraso, mantendo a consciência ligada às suas obrigações, mas nunca deixando de viver por elas. Acima de tudo, alcance seu próprio bem-estar, e saiba sentir o sangue correndo dentro das suas veias.

 "Senti escorrer meu próprio sangue e me alegrei; pois ali descobri que nada mais além de mim, poderia me fazer sentir tão poderoso e controlador, ao mesmo tempo que tão mortal." Sérgio Bitencourt

4 comentários:

  1. Olá,Sergio!
    Tudo bem?

    Estou passando para avisar a exclusão do meu blog antigo, o Meu Locus ♥. Depois de um ano, as tematicas do blog se desgastaram, e as tentativas de reerguê-lo foram fracassadas, então optei por exclui-lo. Como eu gosto muito de escrever, criei outro blog, o Osculai amigos.

    http://osculaiamigos.blogspot.com/

    Enfim, é isso. Um abraço.

    Juh ♫

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  2. De certa forma, tenho me sentido meio morto ultimamente... Preciso me ressucitar antes que meu corpo apodreça e seja tarde demais pra isso..
    Bom post!!
    ^^

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  3. voce escreve bem, porem seus textos me deixao deprimodo, apesar de muito reflexivos...
    porra cara tenta dar uma naimada ai né...
    faz a boa açao do dia...
    tenda ser meio Ceneca...

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