terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Dias a Menos Para Sempre

 Em 13 dias não pude tirar nada de satisfatório da minha cabeça para definir este dezembro. Há um motivo para tudo. Por entre corredores apertados, abarrotados de rostos estranhos, e outros lugares que não pertencem ao meu convívio, constantemente tenho levado meus olhos ao nada quando a mesma questão ecoa como uma bomba na minha mente: o que diabos estou fazendo aqui?
 Minha vida mudou. Junto à isso uma sensação de que algo fora deixado para trás. Tenho vergonha de admitir e por isso prefiro não olhar, mas sei que ainda está lá. Na verdade, está bem aqui, comigo, mas eu o desprezo, pois não consigo enfrentá-lo, mas quero abraçá-lo e nunca deixá-lo ir. Aonde vim parar?
Os questionamentos não param! E à medida que expectativas crescem, algo continua sumindo. Parte de um eu tão ímpar e profundo que, se perdê-lo, sinto que enlouqueceria, numa frenesi sem cura.
 Uma onda de consciência tenta sempre me convencer de que aqueles tempos jamais voltarão. E o que estou pensando? Eu não quero que voltem... e por isso é tão difícil explicar. Cada minuto condena um centimetro morto do meu espaço e me faz perceber o quanto estou sendo invadido. Não fico mais sozinho e, por consequência, não consigo raciocinar corretamente. O tempo de mim, que deveria ser dedicado à mim, se perde em pequenas faltas. São erros que nenhum arrependimento pode empurrar ao esquecimento, mas que me farão crescer, ainda que eu sinta o chão trincando sob os meus pés.
 Em poucas semanas, as engrenagens que moviam minha mente começaram a enferrujar, provocando ruídos insuportáveis e apontando toda essa falta de compromisso com tudo que - verdadeiramente - me pertence. Conforme soava desesperada a sinfonia, minha procrastinação permanecia. Discreta aos alheios, inevitável para mim; tão clara e assustadora como a luz que invade cômodos sombrios no frio da manhã.
 E então o grito. Como vou curar isso?! Tantas mudanças me tornaram inaderente ao futuro. O simples planejamento tornou-se árduo demais, e a combinação dos fatores destrutivos desta trágica temporada me levaram à quimera profunda, onde me separar do mundo é necessário e quase impossível.
 Continuo então adiando cada sonho, e odiando cada momento de insatisfação. Aquela imagem no espelho não está mais tão transparente, as luzes de um iminente sucesso não brilham mais como antes. Tudo se apaga, e o que fica são apenas cinzas de uma imensa vontade não concretizada. Tentar explicar minuciosamente seria errôneo. Só resta manter o ritmo e tentar desviar as setas pelo caminho certo.
 Quando éramos crianças, nos cercavam de atenção e presentes, doces e demasiados agrados. O tempo escorreu pelos traços, em nossa constante mudança, trazendo consigo obrigações e resposabilidades. Onde estão nossos amigos e família? Como estão suas vidas? A perda abstrai seu próprio medo até que nenhum deles seja relevante. As pessoas sentem muito na exata proporção em que passamos a não sentir nada. Quanto mais se tem, mais se perde e no fim... teremos apenas a nós mesmos.


We're all dying.

Um comentário:

  1. Quanto mais se escreve melhor se torna. Você se tornou um grande escritor amigo, e quero dizer que no meio de tantas sentenças complicadas eu consegui esxtrair seu sentimento. E mais, eu compartilho da sua perda, da nossa "Morte" a todo instânte, a todo instânte de decisão, a todo momento de ação. Espero que nossos futuros tragam coisas úteis e não mais estes dias vagos.
    Abraços do seu AMIGO, Arthur Fortes.

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