domingo, 20 de março de 2011

Biografia ¿!

 Cansado de falar sobre mim. Talvez você também esteja cansado de pensar nos seus problemas e nas variadas formas de resolvê-los ou de escapar deles - o que poderia ser considerado uma solução.
 Tratando-se do título, o que valeria a pena contar em um livro que trata exclusivamente de você?
 Sua vida traduzida em páginas; tudo o que fez ou faz para estar onde está. E muitos ícones precisam morrer para ganharem sua obra não autorizada, enquanto outros se aventuram na autobiografia esperando lembrar-se de tudo, convertendo em palavras suas memórias, das vivências e da existência propriamente dita - se é que realmente exista uma clara diferença entre viver e existir, quando tudo já é tão banal.
 Tentar escrever algo sobre si mesmo não é fácil. É como observar sua vida do lado de fora, e inevitavelmente você acaba enxergando erros que, na literal realidade, você nunca quis assumir. Pode ser assustadora a reação quanto à verdade, tomando conhecimento de que é preciso tornar-se o eu lírico para ver que mesmo o certo pode permanecer certo, ainda que no lugar errado.
 Se minhas reflexões quanto ao tema te deixou confuso, tenho meus objetivos alcançados.
 Agora que sua mente está trabalhando em algo maior que você, tente sair de si por um momento e observar. Sinta, pense e aja como o alterego. Quem é você fora dos seus próprios conceitos?
 Muitos escritores preferem essa vista. Requer uma certa astúcia se fazer de leitor para pensar sobre ações e reações que sua biografia poderia causar. O pensamento em questão abre espaço para outros questionamentos, como qual seria o interesse dos leitores na sua história. O que você era, passou a ser e finalmente se tornou? Se existem ações diferentes e diferença nas ações, tudo pode valer a pena, mas ainda não é o suficiente, e nunca será - independente da sua idade. Tantas dúvidas alcançam a pergunta final, colocando em prova o sentido das biografias, quando não há nada de sério a se tratar.
 Possivelmente, biografias podem trazer uma nova visão acerca da vida do próprio leitor. Funcionando no estilo auto ajuda, ou na mesma linha dos manuais que, fracassadamente, tentam ensinar leitores frustrados e depressivos a como ficarem ricos, conquistarem seus amores e sonhos, seguindo-se os vagões derivados dessa lamentável literatura. Há pouco tempo fui presenteado com um livro repleto de mensagens de um famoso blog. Honestamente, a única idéia que tal presente me causou foi a de transformar o TRAPO em livro. TRAPO escrito - Volume 1 - já pensou? No mais, o presente fora repassado para alguém que, ao contrário de mim, precise ser estimulado à postar algo interessante.
 Sobre a minha biografia, deixarei que alguém a escreva quando eu me for. A obra não será fiél à minha vida, alguém saberá a verdade no caso de alguma mentira, e o amplo salão de dúvidas acerca de mim mesmo será aberto ao público. Experiências parcialmente reveladas, enquanto um bando de curiosos profanam meu sono para saberem mais. Pode parecer sinistro e demasiado estranho, mas é uma forma de manter-se vivo, mesmo que apenas nas mentes das pessoas. Será que é isso que os autobiógrafos realmente procuram? A imortalidade soa ridículo, mas quem a negaria, afinal?


segunda-feira, 14 de março de 2011

Ensino Médio - 2º Ano (Parte I)

 Definitivamente, uma mudança de turno pode significar muito - mesmo que forçada. Dizem que estudar logo pela manhã faz bem ao cérebro e pode render boas notas. Se este for realmente o caso, é verdade - pois meus problemas no 2º ano foram outros, e minhas notas não foram minha maior preocupação.
 Meus amigos ficaram (bomba!), fui o único da banda que escapou da reprovação, e para minha surpresa, o início do 2º ano - ainda que na mesma escola - foi como o início do 1º: poucos conhecidos, gente interessante, professores novos e até mesmo uma radical mudança de hábitos, rotina e amigos.
 Logo nas primeiras semanas, me assustei quando percebi que não estava mais sentado no fundão. Mesmo de frente para a porta, a movimentação do lado de fora não me impediu de estudar. Minha distração nesse início se concentrava numa dupla de garotas divertidas e bem diferentes das outras. Eu não sabia, mas uma delas já me achava bonitinho desde o ano passado, enquanto a outra me odiava (sempre tem um - ou dois - que me odeiam). Pensei que não iria conseguir, mas conquistei a amizade da dupla que, de certa forma, já significava muito pra mim, além de uma especial sintonia que criei com uma delas.
 As novas companhias me motivaram a me aventurar, e quando se tem alguém para trocar idéias, nós sempre extrapolamos para falar mal de alguém - ou de todo mundo. Nesse caso, especificamente, a vítima de nossas calúnias era um casal. Não eram bem um casal, mas se relacionavam como um: brigavam e reatavam em tempo integral, só não evoluiam a amizade para não precisarem se matar. Talvez nossa curiosidade tenha sido tão grande que acabamos nos aproximando dos dois malucos e, um após o outro, tornaram-se nossos amigos também. Assim fora formado o nosso quarteto fantástico, tendo eu como Surfista Prateado (por razões que ainda hoje desconheço, mas que nunca me incomodaram).
 Outros amigos - não menos importantes - compunham um grupo especial, espetacular... fantástico. Juntos éramos invencíveis, capazes de muitas loucuras, apesar de que não participei da maior delas.

 Mas até o meio do ano, muitas surpresas e novidades cairiam como chuva de granizo, fazendo barulho e machucando quem ousasse ficar debaixo. Aquela sintonia surreal fora desenvolvida em um romance breve e marcante. Havendo este passado, nossa sintonia tornou-se mais forte.
 No meio tempo, outra garota havia invadido os espaços do meu coração vibrante. Ainda que todas as amigas dela me achassem feio, estranho, esquisito e anormal, ela se entregou ao sentimento que alimentava por mim.
 Desde então, a sexta-feira do dia 15 de maio marcou para sempre a minha história, como o dia em que decisões foram tomadas e eu finalmente me senti no controle dos meus sentimentos. Enquanto minha artificial chuva continuava caindo, amores antigos reapareceram e logo desapareceram quando descobriram que eu não estava mais sob o controle emocional de ninguém.
 Altos e baixos marcaram todas as minhas formas de relacionamento até o meio do ano, tive até mesmo que enfrentar antigos melhores amigos. Entretanto, soube que havia sido aprovado num curso de aprendizagem; e ainda mais animado, pensei em colocar uma aliança de compromisso no dedo dela.
 Mil e uma idéias voavam na minha cabeça, me fazendo sentir capaz e incrivelmente útil. Mesmo assim, eu nunca soube o que o dia seguinte me reservava. Pelo ritmo das coisas, a tendência era melhorar, mas agora a nuvem de granizo estava especialmente sobre a minha cabeça, e me machucou muito.

Série Ensino Médio:
 Ensino Médio - 2º Ano (Parte I)
 Ensino Médio - 2º Ano (Parte II)
 Ensino Médio - 3º Ano