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domingo, 6 de novembro de 2011

É Preciso Ter Cabeça

 Você ainda duvida? Darei a você, que presta atenção às minhas críticas, motivos para compartilhar comigo da minha enorme indignação. Mas se tudo continua lindo pra você, feche esta página e seja feliz.

 É preciso, primeiramente, ter paciência. Sem paciência, caros amigos, levariamos o mundo à loucura com a simples vontade de detonar tudo o que nos incomoda, e por isso ela é necessária. Sem paciência, eu já teria sido fuzilado pelo irmão do filho da put# que escuta aquele maldito funk dentro do ônibus; pelo irmao dele, sim, pois o outro estaria hospitalizado, com centenas de estilhaços de vidro penetrados no crânio. Se não fosse pela paciência, eu não estaria escrevendo este trapo, pois cada peça deste computador estaria fritando numa terabyte fogueira. Sem ela (a paciência) não haveriam tantos falsos amigos e colegas, aqueles que - por pura política - eu trato bem, por algum dia terem feito parte de algo importante que conseguiram estragar. Sem a maravilhosa paciência, a insanidade geral ascenderia à um nível tão absurdo, que poderiam demolir presidios para a construção de hospícios fortemente vigiados.
 Uma vez aprendida a lição de tolerância, é preciso ter percepção. Diante dela cria-se uma infinidade de oportunidades fora da histeria que se vê lá fora. Concordo que cada um de nós possuimos nossas particularidades quando o assunto é loucura, mas neste caso, me refiro àquilo que foge dos nossos padrões de bom senso. A percepção nos ajuda a enxergar aonde pisamos e, ainda mais importante, identificar tudo o que é nosso. Paciência sem percepção termina em isolamento. Tenha plena consciência de que você não está sozinho - por mais estranho, bizarro ou diferente que seja você ou o que você curta; existem outros que terão enorme prazer em compartilhar de suas idéias. Este blog é prova disso.
 Com a tolerância e os sentidos treinados, é preciso ter malícia. Este terceiro item é fundamental na sobrevivência daqueles que desejam mudar o mundo, ou conquistar seu espaço nele de alguma forma. Ainda que nem todos agradem, muitos discordem e a maioria continue em cima do muro; é preciso saber lançar os dados no jogo de interesses. Há menos que você tente ganhar pela força - e perder a razão em função dela - esta é a única forma de sair ileso da rede de mentiras. Por tabela, se aprende a mentir sem muito lhe custar, finjir com a consciência limpa e o corpo são, encarnar os personagens adequados e manipular os fantoches do Diabo quando for preciso; afnal, o bem e o mau jogam no mesmo time.
 Por último, depois de aprender a tolerar a ignorância, identificar os aliados e andar sobre a perigosa política; chega o momento em que é preciso viver, finalmente - aqui, no asfalto quente e cruel, onde é preciso ter cabeça. Cabeça para fazer valer seus princípios e notar que o mundo não gira em torno da sua vontade, mas que vontade é algo altamente manipulável. Cabeça para manter-se quieto, hesitar, pensar duas vezes ou três, agindo de forma simples e fenomenal. Cabeça para entender que muitos estão aqui apenas por existir, ocupando uma lacuna vazia e sem nenhuma importância. Aceitar que todos merecemos o desprezo, mas que precisamos nos abdicar deste orgulho para jogar. Cabeça para entender o motivo...
e ter o poder de compreender tantas contradições. Ter cabeça como refúgio e forte proteção.

 Até aqui, pude parecer bastante parcial, mas neste trapo farei questão de não ser. Este texto é designado aos meus verdadeiros amigos, os quais não preciso citar, pois eles se reconhecem como tal.
Do outro lado, você, que chegou até esta linha, e que compartilha de uma vida fútil, repleta de pequenas frustrações, que desabam em sua grande e fétida imagem; pegue suas frases feitas, seus padrões de comportamento, suas farsas, hipocrisias e o seu cinismo sujo e morra com eles! Este é o meu desabafo, salpicado de conselhos aos que me acompanham, e ofensas implicitas aos que, com fúria, repudio.


 "06/11/11 -- vivo num mundo onde o corpo fala numa linguagem explicita e vulgar; pessoas morrem todos os dias por motivos torpes, crianças pensam em sexo e adultos só querem brincar... onde ainda há preconceito, uma crescente falta de respeito, e os jovens lutam pelo direito de se drogar."

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Crianças ¿!

 Bruna Marquezine e Sasha Meneghel sempre foram amigas globais, unidas por respectivo talento e herança. Mas recentemente, Bruna foi questionada sobre sua amizade com a filha de Xuxa e respondeu:
“Ela virou minha irmãzinha mais nova. Mas não temos mais tanto assunto. Ela ainda vai passar por um monte de coisa que já passei.” Alto e claro. É quase impossível não sentir a voz da experiência de Bruninha, já que a mesma possui enormes quatro anos de idade à frente da amiga Sasha.
 Ao contrário do que você possa estar pensando, o objetivo deste trapo não é fofocar sobre a vida de pequenos famosos, mas destacar que a mulecada de hoje se acha importante demais. Como Justin Bieber, que foi barrado na porta do cinema por não ter idade suficiente e virou piada no twitter.
 Enfim - de volta ao mundo não iluminado pelos holofotes - sempre mantive a idéia de que festa de criança fosse tudo igual... até recentemente, amigos, onde uma festinha infantil em que estive se tornou o antro podre de pré-adolescentes chatos e entupidos de vaidade. Então, pude notar que...

 ... há mais ou menos dois anos, aquela garotinha não passava de uma pirralha trajada em suas vestes de bailarina, reclamando da vida por não poder ter todas as bonecas do mundo. Talvez o trauma de não poder brincar com todas aquelas próteses perfeitas a tornou obcecada em se tornar uma delas. Pois, pode parecer absurdo pensar assim, mas é a forma mais lógica de explicar a tranformação precoce e absurda que presenciei há alguns dias: ela orgulhosamente erguia seus seios recém-formados acima de saltos que transcendiam sua idade; calça jeans na medida certa para realçar suas curvas; e uma blusinha tomara que caia, para a tentação dos pedófilos. Entretanto, a pior parte veio quando minha curiosidade explodiu, eu então perguntei sua idade e uma vozinha incontestável confirmou: tenho 13 anos.


 ... do outro lado da festa, adorei jogar meus dados com uma outra infant. De cabelos lisos, franjinha, o sorriso de um anjo e uma mente tão alienada quanto o fã-clube do Datena. Como não a conhecia ainda, fui questionando seus gostos e interesses - para toda falta de assunto - até descobrir que estava conversando sozinho. Tantas perguntas retóricas me fizeram perceber, em certo ponto da conversa, que eu já estava advinhando cada resposta. Como quando perguntei sobre suas redes sociais favoritas, e logo acertei ao citar os mais conhecidos e o infalível tumblr, que é pró em infectar a mente de adolescentes em crise existencial. No desenrolar da mágica, advinhei também seus pares de tênis, incluindo os brancos com detalhes rosa e salpicados de strass.


 ... não muito longe dali, duas amiguinhas riam sem parar com seus celulares em mãos. Joguinhos? Até passou pela minha cabeça, considerando a boa época em que gostava de Snake, mas não. Bastaram apenas dois passos afora do âmago da festa para que a poluição sonora desse o ar de sua desgraça. Não só esta, como também a visual; afinal, ver duas pré-adolescentes curtindo músicas deploráveis e achando, com toda a certeza de suas reboladinhas indiscretas, que estão abafando, é um crime contra os meus óculos.

 Caso venham me questionar, dizendo que sou chato e não compreendo as descobertas dessa fase da vida, nem irei perder tempo em me defender; pois reconheço que, talvez, se eu estivesse no lugar de qualquer um desses exemplos, eu poderia ser ainda pior - principalmente se fosse famoso.
 Entretanto, não há nada que justifique tais comportamentos; ou a simples arrogância juvenil de não poder agradecer a quem lhe faz uma gentileza; ou aos diversos vídeos espalhados pelo YouTube, que ovacionam crianças incentivadas a se beijar; ou pela liberdade ilimitada oferecida pela maldita digital.
 Logo, o que é fato não pode ser enganado por nenhuma fantasia. Então lembre-se garotinho, você não é especial e ainda vai se masturbar bastante antes de conseguir alguma coisinha; e quanto a você menininha, lembre-se de que você não carrega um rei na barriga, até porque você nem pode engravidar.
Sua lista de brinquedos foi substituida por vaidades que não se esgotam, e que crescem conforme o tempo passa, na exata proporção daquilo que - um dia fora chamado de infância - está sendo extinto.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Na Faculdade

 Segundo minhas leigas observações pré-universitárias, graduação seria sinônimo de terror psicológico e atentado ao suicídio. Sim, pois bastou receber a notícia da aprovação no vestibular que, logo após as felicitações, caíram sobre mim toneladas de informação improdutiva sobre os próximos anos de estudo.
 Mas o que diabos há de errado nisso? Se prestamos uma prova para sermos ingressados numa faculdade, suponho que a intenção seja estudar mesmo, e estar apto a aprender; logo: nada mais justo que estudemos durante cada período. Entretanto, muitos alunos e ex-alunos fazem questão de criar uma bruta ênfase contra as leituras e os diversos trabalhos propostos (e não impostos) pela instituição.

 Como faço parte dessa realidade há pouco menos de um mês, posso dizer - sem dúvida alguma - que o desespero e a agonia tomam conta dos pobres aflitos universitários, tanto novatos quanto veteranos. O que me leva a questionar:
Sou eu muito tranquilo, ou é o mundo assim tão aflito?
 Minha própria natureza me ensinou a estudar, trabalhar, lutar e vencer... sem nunca deixar de respirar.
 Então, pra que tanta correria? Viva! Minutos a mais ou a menos na lanchonete não vão detonar com os seus progressos; assim como você não precisa copiar cada palavra balbuciada pelos professores. Aprenda a conciliar livros e cálculos aos preciosos minutos da sua vida.

 De um lado, muitos apedrejaram meus ouvidos acerca da faculdade, enquanto outros me disseram ser uma das melhores fazes da juventude. Mesmo estando aqui há pouco tempo, não nego a segunda afirmação. A faculdade dispõe ao aluno uma espécie de liberdade oculta. Essa estranha possibilidade de agir como bem entender, assumindo quaisquer consequências é, senão, muito justa. Porém, metade dos alunos não percebem que estão livres para tomarem suas próprias decisões e acabam transformando o ambiente universitário num jardim de infância com grades e cerca elétrica. Pobres coitados como estes saem de qualquer curso bem sucedido e caem direto na turma do melancólico professor epitáfio.

 A nova experiência, na prática, tem sido muito produtiva. Com 1º e 2º períodos misturados, existe uma sensação natural de separação dentro de sala, e nem mesmo as investidas da galera veterana consegue quebrar o gelo dos novatos chatos (sem generalizar, é claro). No geral, a teoria da afinidade sempre funciona; formam-se grupos em toda parte e logo você já está assando dentro de uma panela. Algo curioso na faculdade é que grupos distintos passam a existir, coisas que não se vê muito no ensino médio, como o grupinho das mulheres casadas, das pessoas mais velhas, dentre outros mais interessantes. Logicamente, existem os CDFs (Comitê do Desespero Frenético), o grupinho fanfarrão, os viciados em futebol, as feias e desprezadas, os nerds (que são bem diferentes dos CDFs), as patricinhas pau no c# e por aí vai...
 Estou gostando de vivenciar e escrever sobre isso, e poderia ficar horas descrevendo o que vejo, ouço e testemunho nos agridoces arredores universitários, sem contar aquilo que faço de vez em quando. Mas ainda sou novato, não tenho amigos, só gente implicante me cobrando trabalho. Sem neura, ainda há tempo para rever conceitos e preconceitos, e serão diversos períodos repletos de muitas opiniões que, certamente, estarão aqui no TRAPO em breve. Até lá, talvez as profecias de Leno, o sábio, estejam finalmente corretas... e que mais cedo ou mais tarde, isso tudo termine numa orgia. Disgusting!

segunda-feira, 18 de julho de 2011

ϟ HP7.2: Crítica

 Fantástico e mágico! Me considero fã de Harry Potter pois acompanho a história desde o lançamento do primeiro filme e também porque sei bastante numa discução sobre o assunto; quanto aos livros, li apenas um - A Pedra Filosofal. Levando em conta meu leigo ponto de vista, analiso a série - na integra - como um conto inteligente e desafiador, pois não são todos que estão no cinema, ou com um livro da série na mão, que conseguem absorver o impacto e a competência do mundo criado por J. K Rowling e adaptado pelos diretores Chris Columbus (A Pedra Filosofal e A Câmara Secreta), Alfonso Cuarón (O Prisioneiro de Azkaban), Mike Newell (O Cálice de Fogo) e David Yates (A Ordem da Fênix em diante).
 Não irei separar em camadas os itens dos quais pretendo falar, portanto pretendo comprimir a crítica em poucos parágrafos para que não fique massante. Começando pela interpretação de cada personagem, que esteve precisa neste último filme, com um destaque especial para Matthew David Lewis (Neville Longbottom - foto) e Ralph Fiennes (Lord Voldemort).

 A trilha sonora, composta pelo francês Alexandre Desplat, também merece destaque, observando que substituiu a famosa soundtrack tocada em todos os seis longas anteriores por uma nova sequência que deu novos ares ao último episódio (ouça). Mas nem todos os fãs aprovaram a mudança feita por Desplat, já que a antiga trilha sonora marcou praticamente uma década de aventuras do jovem bruxo.
 David Yates caprichou na série, como vem feito desde A Ordem da Fênix, o que prova que o diretor é, sim, a alma do filme. Reparem isso na tremenda diferença de ambiente e sensação presentes nos primeiros quatro filmes e nos quatro últimos (dirigidos por Yates). Enfim, tratando-se de Relíquias da Morte - Parte 2,   a direção não deixou a desejar, conseguindo equilibrar muito bem as concentradas doses de ação, suspense e drama, que são ainda mais fortes tratando-se de um desfecho. Entretanto, em minha opinião particular, os últimos vinte minutos da saga mereciam algo mais impactante e menos melancólico; esperava sair do cinema chorando de emoção, mas quase chorei de desgosto.
 Ao contrário da direção, o roteiro continua muito mal adaptado à obra de Rowling; tanto que, das nove indicações ao Oscar que toda a saga recebeu ao longo dos sete últimos filmes, nenhuma incluia o prêmio de melhor roteiro. Como li apenas o primeiro livro, segui pela opinião dos fãs que leram "todos e mais alguns". Segundo eles, o principal erro no roteiro fora a morte de Voldemort, que ocorre no filme de forma extremamente diferente do descrito pela autora; o pior de tudo é que, na passagem do livro, a cena é mais direta e possui menores detalhes que os inventados mostrados no último filme.
 Na parte cênica, Harry Potter nunca deixou sua varinha falhar. Novamente voltando ao Oscar, foram nada menos que três indicações ao prêmio de melhor direção de arte, duas no quesito de melhores efeitos especiais, e uma indicação para as categorias de melhor fotografia e melhor figurino. Em Relíquias da Morte - Parte 2 acredito que não será diferente, principalmente quanto à direção de arte, efeitos especiais e fotografia. Ainda na parte cênica, Relíquias da Morte - Parte 2 foi o único filme da série a ser filmado também em 3D digital, o que lhe renderá novas críticas; essas, que não convêm serem postadas aqui no TRAPO, já que estarão em toda parte dentro de poucos dias - se já não estiverem.


 Finalizando, Relíquias da Morte - Parte 2 é o desfecho memorável de uma saga que consquistou o mundo através dos séculos. A fama de Harry Potter alcançou também, este ano, o recorde de melhor abertura (estréia) nos EUA e no Canadá. Foram quase 670 milhões de dólares arrecadados só no fim de semana de estréia, o que deixou para trás o antigo campeão - Batman - O Cavaleiro das Trevas, que conseguiu cerca de 660 milhões de dólares em 2008. Fora da América do Norte, Harry Potter bateu recordes também na Inglaterra, Espanha, Japão, México e Austrália; com um total arrecadado de 475,6 milhões de dólares.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Gente Morta

 O sangue fora saindo lentamente, escorria por todos os lados numa curta distância, até que parou. Ainda estava fresco enquanto eu observava, brilhava na luz em tons fortes. Agora - minutos depois - está estancado, como uma tatuagem pintada em vermelho. Até mesmo sua posição permaneceu artistica, e dependendo do ponto de vista, parece um tribal ou algo do gênero. Concluí que estou vivo, que a dor sentida pelo pequeno corte não se compara às minhas perspicazes observações sobre ele.

 São tantas tarefas, tanto a ser feito em tão pouco tempo. A maioria dos jovens se acostumam a levar um ritmo de rotina robótico e acabam se esquecendo da vida se acumula dentro deles. Outros nasceram com a dádiva do bom senso e sabem que apesar das imposições do mundo e da sociedade, existem também as nossas imposições, e elas devem também fazer a diferença, mesmo que por alguns segundos de uma inútil discussão.

 Correm, estudam, trabalham, se matam e desperdiçam seu suor dentro do protocolo. Seguem as regras e são direcionados pelo medo. Pensam em si mesmos, e mais ainda no que os outros vão pensar de si. Precisam urgentemente de um psicólogo, mas afirmam não ter tempo para isso; ou apenas dizem isso é coisa de doente - se ao menos soubessem quem são os doentes do século XXI. Sem exagero ou grosseria, são inúteis, dentre todos aqueles que não vivem, mas simplesmente existem. Seguem a programação da TV, das rádios, da igreja e da comunidade; não se atrasam, nunca erram e não arriscam pois seria arriscado demais. Não sabem escolher, pois afinal, não possuem opções; uma resposta fora gravada no inconsciente e será repetida sempre que perguntado: tanto faz. Certamente, vacas de presépio são mais proativas.
 Então lhe pergunto, por que não dormir um pouco? Apenas porque somos jovens? Na balança, merecemos um descanso maior, pois gastamos mais energia com tudo e todos e o estresse. Somos humanos o suficiente para entender que possuimos limites e que danem-se aqueles que não consigam entender isso. Precisamos de tempo para praticar nossos hobbies, cuidar dos nossos animais de estimação, organizar nossos projetos pessoais e enfim, respirar e sentir somente isso por ao menos um minuto.
 Estamos vivos. Talvez esta não seja a primeira vez que questiono hábitos extremos que levam pessoas à uma vegetação voluntária, mas posso afirmar de consciência limpa que todas as minha criticas estão direcionadas ao mundo e não a mim. Depois de ver tanta desgraça causada pelo falso-moralismo humano, adotei o pensamento de que: antes de criticar, seja você seu próprio exemplo. Aprenda a seguir os conselhos que você mesmo dá, a abraçar novos dias intensamente, descansando sem medo do atraso, mantendo a consciência ligada às suas obrigações, mas nunca deixando de viver por elas. Acima de tudo, alcance seu próprio bem-estar, e saiba sentir o sangue correndo dentro das suas veias.

 "Senti escorrer meu próprio sangue e me alegrei; pois ali descobri que nada mais além de mim, poderia me fazer sentir tão poderoso e controlador, ao mesmo tempo que tão mortal." Sérgio Bitencourt

terça-feira, 29 de março de 2011

Politicagem

 Abençoados são aqueles que conseguem praticar a politicagem. Minha crítica não está mirada contra a peculiar politica já conhecida por todos nós. Mas contra pessoas que jogam por seus interesses, fingindo atenção a quem não lhe agrada, dedicando-se exclusivamente à sua imagem social.
 Tentei muitas vezes, mas em casos de pessoas com o meu temperamento, não adianta fingir educação e boa vontade à quem não lhe interessa. Cedo ou tade você explode; e caso consiga fingir, acaba se saindo bem no ponto de vista alheio, mas sua consciência permanecerá ferida pela sua própria traição.
 Falando assim, parece até errado tratar bem as pessoas e adaptar-se às mudanças. O verdadeiro desafio na politicagem está em conseguir sobreviver à tudo, enfrentar à todos, carregando o mesmo sorriso cínico na cara. Traduzindo rapidamente, é jogar no time da boa vizinhança para garantir uma moralzinha extra.

Identificando Politiqueiros
 Basicamente se encaixam num perfil padrão. São diferentes como pessoas mas seus objetivos definem suas ações e reações para toda e qualquer situação envolvendo o jogo de interesses. Politiqueiros sempre jogam no time que, provavelmente, vai ganhar. Não querem causar confusão ou alvoroço, e por isso, sempre concordam com o mais sábio da mesa. Podem ser machistas e feministas; tradicionais, neutros ou liberais, depende do grupo que compõe a maioria.
 Seus alvos são pessoas influêntes socialmente, abrindo exceções para alguns parentes, responsáveis por traçar seu perfil politicamente correto diante de toda a família. Suas concordâncias e seus bons modos agem diretamente em pessoas com as quais possui pouco relacionamento e intimidade. Este pouco relacionamento com seus alvos se deve-se à manter seu autocontrole; afinal, se um politiqueiro domina emocionalmente alguma pessoa, ele será capaz de qualquer ameaça ou pressão psicológica para que os mais achegados venham a concordar com ele e suas idéias.
 Politiqueiros sempre riem quando lhe contam piadas e lamentam quando o assunto é triste. Procuram manter-se equilibrados nas cordas do seu alvo. Sua liberdade de expressão e seu comportamento será sempre limitado ao comportamento do alvo e à liberdade que o alvo lhe dá. Sutilmente, tentam manter em alta seus conhecimentos sobre assuntos de interesse do alvo. São falsos-moralistas. Tratam o mundo como injusto e a si próprios como injustiçados. Fogem da vergonha por mais necessária que ela seja.
 Finalmente, seus objetivos se limitam num código calculista: manter boas aparências e um alto status perante a sociedade. Seus companheiros devem lhes apoiar sempre, e caso discordem de algo, basta que permaneçam calados. Seus filhos devem ser os melhores, criados à partir de regras sólidas e padrões sociais; esses adolescentes, em especial, são retraídos à suas escolhas, pois sempre pensam numa possível reação negativa vinda de seus pais politiqueiros - grande parte precisa de um psicólogo.

 Eu não espero que você entenda, concorde ou discorde das explicações acima. Cada palavra descrita foi baseada nos meus estudos quanto à politicagem, enquanto estive por observar alguns praticantes.
 Esta é a minha crítica contra um bando de mascarados que dançam conforme a música. Homens e mulheres incapazes de expor suas idéias reais ou pôr em prática seu bom senso, incapazes de deixar de lado seu egoísmo em querer que o mundo lhe prestigie e lhe considere por seu renome.
 Apesar de tudo, admiro a inteligencia e a frieza dos politiqueiros e deixo claro que eu gostaria de ser assim. Podendo me posicionar na moldura da sociedade, trajando as vestes da ordem e da decência, jogando como manda a regra e controlando e manipulando cada mente ao meu favor. Destruindo a vida dos meus filhos, que só querem o meu apoio e a minha atenção quando a sociedade os julga inadequados.

"O Politiqueiro é gente mas também é sítio. Quer ser politólogo pelo gosto da escrita,
 e escritor porque não sabe ser político." (Autor Desconhecido)

segunda-feira, 21 de março de 2011

Aham, Sério?

 Vida boa e confortável - um sonho ao nosso alcance. Mas nem tudo é um mar de rosas quando sobra mês pro fim do dinheiro, seu guarda-roupa está mofando e implorando novo vestuário, e tudo o que você não quer saber é sobre como a vida alheia vai bem, especificamente quando vai bem melhor que a sua.
 Não me venha pregar lições de bom humor e falso-moralismo. No manual do ser humano, todos temos o direito de ficar com raiva e não nos sentirmos adequadamente confortáveis quando alguém chega contando vantagem sobre seus enormes esforços em ser bom, ou simplesmente melhor que você.
 Compreendo que, em muitos casos, pessoas disputam ser o melhor em certas habilidades. Já testemunhei amizades sendo destruídas por comparações de notas do colégio, beleza; a clássica disputa do quem pega mais, apostas ainda mais idiotas, jogos em geral, e por aí seguem os afins da discórdia. Minha crítica está direcionada às pessoas que vivem no propósito de se comparar aos outros, pois existem pessoas que gostam de disputar tais futilidades; outras, como eu, não se interessam pela vida dos outros, mas acabam passando a raiva de ter que ouvir os alheios contarem vantagens tolas sobre nós.
 O convite para entrar na dança dessa disputa é tentador. Mas afinal, qual é a maldita razão de querer provar para alguém que você é melhor? Em concursos pode valer um prêmio, um troféu ou algo qualquer que simbolize sua vitória - é digno de respeito; mas fora disso, qual é o sentido? Deixo claro que não estou pregando humildade, mas o orgulho em si, de forma que não seja preciso armar o circo para espalhar boas novas sobre sua vida particular, quando nada de construtivo compõe a sua experiência.

 Tenha em mente que autoconfiança é diferente do tema que estou descrevendo. Saber reconhecer-se superior pode não ser tão ofensivo quanto perturbar a paz de alguém somente para vir falar sobre assuntos e conquistas, na maioria das vezes, vãs.
 Provavelmente, você já deve ter passado - ou está passando - pela fase da vida em que tudo o que você diz é respondido com um f#das, saiba que este irritante processo possui um resultado proporcional às vantagens que você conta. Não é errado se alegrar com a glória dos outros, mas não é todo mundo que quer saber o quão legal, bacana e supimpa vai a sua vida.
 Você que sofre com os super contadores de vantagem do mundo, deve estar aliviado em saber que alguém pansa como você e não aguenta mais ouvir tanta balela.

 Já você que pertence ao ilusório mundo das suas próprias vantagens, deve estar pensando que eu sou só mais um cara infeliz desabafando sobre as diversas encheções de saco do mundo - tais que incluem você; mas como dito logo acima, eu não ligo para o que você pensa. Vai contar vantagem na p#ta que pariu!

domingo, 20 de março de 2011

Biografia ¿!

 Cansado de falar sobre mim. Talvez você também esteja cansado de pensar nos seus problemas e nas variadas formas de resolvê-los ou de escapar deles - o que poderia ser considerado uma solução.
 Tratando-se do título, o que valeria a pena contar em um livro que trata exclusivamente de você?
 Sua vida traduzida em páginas; tudo o que fez ou faz para estar onde está. E muitos ícones precisam morrer para ganharem sua obra não autorizada, enquanto outros se aventuram na autobiografia esperando lembrar-se de tudo, convertendo em palavras suas memórias, das vivências e da existência propriamente dita - se é que realmente exista uma clara diferença entre viver e existir, quando tudo já é tão banal.
 Tentar escrever algo sobre si mesmo não é fácil. É como observar sua vida do lado de fora, e inevitavelmente você acaba enxergando erros que, na literal realidade, você nunca quis assumir. Pode ser assustadora a reação quanto à verdade, tomando conhecimento de que é preciso tornar-se o eu lírico para ver que mesmo o certo pode permanecer certo, ainda que no lugar errado.
 Se minhas reflexões quanto ao tema te deixou confuso, tenho meus objetivos alcançados.
 Agora que sua mente está trabalhando em algo maior que você, tente sair de si por um momento e observar. Sinta, pense e aja como o alterego. Quem é você fora dos seus próprios conceitos?
 Muitos escritores preferem essa vista. Requer uma certa astúcia se fazer de leitor para pensar sobre ações e reações que sua biografia poderia causar. O pensamento em questão abre espaço para outros questionamentos, como qual seria o interesse dos leitores na sua história. O que você era, passou a ser e finalmente se tornou? Se existem ações diferentes e diferença nas ações, tudo pode valer a pena, mas ainda não é o suficiente, e nunca será - independente da sua idade. Tantas dúvidas alcançam a pergunta final, colocando em prova o sentido das biografias, quando não há nada de sério a se tratar.
 Possivelmente, biografias podem trazer uma nova visão acerca da vida do próprio leitor. Funcionando no estilo auto ajuda, ou na mesma linha dos manuais que, fracassadamente, tentam ensinar leitores frustrados e depressivos a como ficarem ricos, conquistarem seus amores e sonhos, seguindo-se os vagões derivados dessa lamentável literatura. Há pouco tempo fui presenteado com um livro repleto de mensagens de um famoso blog. Honestamente, a única idéia que tal presente me causou foi a de transformar o TRAPO em livro. TRAPO escrito - Volume 1 - já pensou? No mais, o presente fora repassado para alguém que, ao contrário de mim, precise ser estimulado à postar algo interessante.
 Sobre a minha biografia, deixarei que alguém a escreva quando eu me for. A obra não será fiél à minha vida, alguém saberá a verdade no caso de alguma mentira, e o amplo salão de dúvidas acerca de mim mesmo será aberto ao público. Experiências parcialmente reveladas, enquanto um bando de curiosos profanam meu sono para saberem mais. Pode parecer sinistro e demasiado estranho, mas é uma forma de manter-se vivo, mesmo que apenas nas mentes das pessoas. Será que é isso que os autobiógrafos realmente procuram? A imortalidade soa ridículo, mas quem a negaria, afinal?


segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Partes do Todo

 Assim comemos e reclamamos da fome não saciada. Talvez porque o tempero da comida não seja bom o suficiente, o cozinheiro seja incompetente, ou o seu paladar seja simplesmente exigente ou até mesmo agressivo demais. Mais tarde estamos satisfeitos com nada, integrados por bobagens, tranformando dias úteis em minutos ainda mais inúteis que os nossos domingos infelizes, quentes e insuportáveis.
 Estes serão nossos sacrifícios sem dor, trauma ou arrependimento. Ações que, com clareza, trarão aos nossos olhos uma satisfação jamais vista ou sentida antes. O prazer de fazer o que queremos, sem data marcada nem hora para terminar. Prazeres. Dos individuais aos mútuos e esquisitos. Dentro de cada um, o simples sentido de sermos únicos; dentro de todas as particularidades e semelhanças que nos diferem.
 Não temos razão para julgar. E não há por que sermos julgados. Não queremos e não fazemos porque não queremos, pois sabemos que se quizessimos, já estaria feito sem que ninguém pedisse. Pois existe liberdade espalhada pelo ar. Literalmente, respiramos liberdade, prendemos no peito e, por medo de conceitos e preconceitos, a deixamos morrer, levando consigo a maior das forças. É estranho pensar em prender a liberdade, libertá-la ou matá-la; mas é certo e não há erro de cálculo. Se ela existe, que cessemos nossas vozes para apenas tentar usá-la. Encontraremos redenção dentro de nós mesmos. O mundo pode não concordar conosco, mas inevitavelmente ele terá que nos respeitar. No fundo sabemos que não somos únicos de uma certa maneira, mas que escondemos nossa maneira certa de sermos únicos.
 O que estamos reinvindicando, afinal? Não é nada. Nosso senso de vontade própria não aparece sempre e, portanto, ele não poderia deixar de estar aqui, traduzido em conjuntos de palavras estranhas. Ir e vir, pensemos nisso - não é difícil. Aprendemos que justificativas devem ser dadas aos tolos, mas que amigos não precisam delas e que inimigos sempre irão duvidar da nossa causa e nos fazer fracassar.

 Não é uma revolução, talvez no pensamento, mas ainda assim não é uma revolução. Nossa alma grita em poderosos megafones, não mais alto que as bandeiras de nossas vontades, estendidas na tentativa de nos fazer enxergar que a vida está escapando por entre os dedos, e que não temos dedicado tempo para nós mesmos. Nossa diferença no mundo deixará marcas presentes por gerações, enquanto não haverá diferença dentro de nós mesmos. Continuaremos sendo a mesma casca espessa e oca, tentando agradar aos alheios.
Tão criticos que por vezes nos perguntamos aonde estamos e o que estamos fazendo aqui.


 Partes do todo, é o que somos. Por entre sons e ruídos que não podemos identificar, através de belos olhos e almas impuras. Nosso corações são reconhecidos mas nunca foram descobertos por ninguém, perdidos na mesma escuridão, onde ninguém se toca. Todos tão cegos e sãos. Além disso, não sentimos pois não queremos sentir, e não vemos pois nos recusamos a ver. Não queremos pois não nos pertence, mas pertence ao todo, e como inseridos nele, talvez nos pertença; em partes, ou não.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Problemática Religião

 Li hoje no portal Yahoo! OMG! que a Editora Gráfica Universal, responsável pela publicação do jornal da igreja, simplesmente se fud¢# ao publicar uma matéria afirmando (mais uma vez) o boato sobre Xuxa e o suposto pacto diabólico feito pela apresentadora. Os advogados de Xuxa processaram a editora por danos morais, alegando (óbviamente) que Xuxa possui uma imagem pública à zelar, principalmente em relação às crianças. A juiza responsável decidiu que ouveram especulações sem o consentimento ou direito de resposta de Xuxa. Resultado: a editora tera de pagar uma indenização de 150 mil reais à Xuxa, além de ter sido condenada a publicar, na primeira página da próxima edição após o julgamento, a seguinte manchete: "Em desmentido da publicação do exemplar 855 de 24 de agosto de 2008, Xuxa Meneghel afirma que tem profunda fé em Deus e respeita todas as religiões."

TRAPO opina:
 O que esses fanáticos doentes têm na cabeça? Provar que Xuxa possui um pacto satânico não irá gerar mudanças na vida dos fiéis. Eles apenas terão mais uma celebridade para crucificar, já que todo e qualquer milionário que não seja crente vendeu a alma pro diabo. Enquanto isso, continuam vivendo suas vidas medíocres, acreditando que em meio tanta calúnia e falso testemunho, herdarão seu iludido lugar no céu.
Amém?


domingo, 9 de janeiro de 2011

Quebrados e Estragados

 No trapo de hoje não vou adentrar em metáforas. Você pode pensar que estou falando de almas quebradas ou pessoas de caráter estragado, mas não é nada disso. Hoje venho desabafar sobre coisas, sobre bens materiais, e sobre uma das situações que mais me tira do sério.
 Honestamente, prefiro algo estragado - que não funciona - à algo quebrado - que funciona mal. Entenda o dilema quando seu celular resolve ganhar vida própria, ligando e desligando sozinho; ou quando a bateria do seu MP4 está viciada e você não consegue ouvir mais do que duas músicas; ou então quando você compra fones de ouvido, mas só um funciona. Estes são exemplos simples perto da minha zica.
 Concordo que existem pessoas om uma certa tendência ao destrutivo, mas eu não! Sempre fui cuidadoso com o que é meu, e com o que é dos outros também. Fiquei irado quando um pirralho da família veio me pedir ajuda pra consertar o video-game dele, que estragou. A peste havia colado adesivos por todo o aparelho, fora as pequenas rachaduras provocadas pelas prováveis quedas. Pior ainda foi saber que o muleque dava socos no video-game quando ele não funcionava. Meu zelo para com as coisas se reflete numa raiva incomum contra pessoas que não possuem o mínimo cuidado com nada!

 Mas não sei o que há comigo. Por que minhas coisas estragam? O celular, o MP4, a caixinha de som do computador. Todas as dezenas de fones de ouvido que eu comprei - nenhum deles durou uma semana. Minha impressora se recusa a imprimir corretamente qualquer documento. Meu DVD portátil funciona bem, mas o carregador de bateria dele estragou, assim como todos os carregadores de celular que tive na vida. O pior de tudo foi o Xbox 360 do meu tio, que estragou enquanto estava comigo; antes que você pense que sou um destruidor de objetos, o Xbox estragou por falhas técnicas devido ao tempo de uso. Tenho certeza que se eu o jogasse na parede, antes disso, ele continuaria funcionando normalmente.
 Dos sobreviventes, restam minha TV de 14", que nunca queimou mas já chegou a dar problemas no canhão de imagem e no gama - hoje funciona corretamente. Meu PS2, que me deu um baita susto com a luzinha amarela, até hoje (depois de 4 anos) funciona como novo. Meu computador está mais do que vencido mais ainda aguenta alguns meses sem formatação. Meu Xbox (meu, não o do meu tio!) é minha grande paixão e nunca estragou! Bem, acho que é só isso que ainda funciona bem.
 Mas se você acha que meus problemas são apenas com eletrônicos, se enganou. Meus tênis - originais ou não - não duram mais de um ou dois anos. Todo acessório que eu uso é destruido ou se perde em semanas; salvo meu anél de prata, que anda sempre comigo. Do vestuário às coisas mais pequenas: chaveiros, bottons, carteiras, réguas e esquadros, canetas, lapiseiras, compassos então...
 Bem, ultimamente tenho pesquisado qual poderia ser o motivo de tudo que é meu ir pro saco assim. Minhas estatisticas apontam que a maioria das coisas que estragam são presentes, e considerando que muitos deles são piratas, a margem de destruição iminente sobe ainda mais. Entretanto, quase tudo (eu disse quase) que vem de lojas credenciadas ou são produtos originais, duram o dobro do tempo ou simplesmente não estragam. Um exemplo é meu joystick (manete) do PS2, ele é original e durou 4 anos comigo; começou a zicar e no dia seguinte comprei outro. Não posso ficar seu jogar, entendeu?
 Daqui pra frente, assim como promessa de ano novo, vou ter mais cuidado com tudo que é meu, seja pirata ou original. Não aceito que digam que sou descuidado, pois eu me conheço e sei que não sou! Então vamos ver o que vai estragar esse ano, quem sabe isso até renda uma série aqui no TRAPO...

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Aos Fins...

 ... veremos fogos brancos e coloridos nos céus e teremos olhos cheios de emoção por breves segundos. Sim, estes serão breves pois devemos abraçar cada indivíduo presente na festa. Nossa boca gritará vivas de alegria enquanto soluça pedidos de desculpa por ter magoado a mãe o ano inteiro. Todos os nossos ressentimentos serão reciclados e jogaremos promessas ao vento. É um ritual, assim como o bom e velho champanhe; e só aqueles que reconhecem as verdadeiras contradições inventadas pela sociedade conseguem - ainda dificilmente - escapar.
 Promessa. É a palavra oportuna para levantar a frequente questão sobre a capacidade humana. De fato tal capacidade é incrível, mas fatalmente dominada. A ciência culpará os hormônios que causam a preguiça, o cansaço e o estresse; a maldita religião deve continuar com sua pregação sonífera e padronizada: cantando "eu vou viver uma virada em minha vida, eu creio!", quando logo em fevereiro estarão entrando em campanhas para cessar o acumulado sofrimento; dogmáticos idiotas irão apedrejar a lei de Murphy, como sempre. E assim haverá sempre um culpado para o fracasso humano, com exceção - é claro - da própria humanidade.
 Não há nada de errado em ter boas expectativas para um bom recomeço de ano. Afinal, logo no primeiro dia comemoramos a confraternização universal, um dia de paz - ou de menor guerra. Mas e depois?
Você continuará fazendo algo diferente, ou irá mesmo adimitir que sua rotina insuportável não lhe deixa mais fazer nada? Em poucas viradas de ano comemoradas, percebi a instantânea felicidade que chega e logo se dissolve. Os dias separados para festejar um novo início são lançados no abismo do esquecimento; promessas serão quebradas e a trégua será desfeita; ainda que não seja igual, será muito semelhante.
 Não cabe a você mudar o mundo, e nem a mim. Ele sofreria mudanças somente se toda a humanidade seguisse uma mesma linha de pensamentos, hábitos e atitudes; logo posso firmemente deduzir que nunca iremos mudá-lo. O mundo sempre foi o mesmo, e nós, passageiros, apenas seguimos uma alinhada forma de nos adaptarmos a ele. Nós somos os estranhos, e não o nosso mundo.
 Contudo, comemore. Ainda que suas promessas para enriquecer, emagrecer ou arrumar casamento continuem fracassando, não perca a chance de encher sua taça com um bom champanhe e brindar a vida. Há uma estranha e ainda simples conclusão para tudo isso: é simplesmente o que merecemos por não conseguirmos cumprir com nossa fútil palavra. Certamente toda regra possui sua devida exceção, e entrementes algumas raras personalidades conseguem obter o prometido e tão desejado. Porquanto sofremos mais um ano de rotina, cansaço e dor de cabeça, ao menos tiramos dois dias para rirmos das desgraças, perdoarmos as ofensas, e obtermos energia para errarmos tudo de novo... e outra vez.


"Fazer diferença não é uma questão coletiva."
Sérgio Bitencourt

domingo, 19 de dezembro de 2010

Burrice Afetiva Opcional III


 O burrice dá as caras novamente! Novas e verdadeiras histórias - bizarras! - de gente que, infelizmente, não toma vergonha na cara; e não tem a decência de arrumar um companheiro(a) que valha a pena o risco. Mas o próprio ditado defende que "é errando que se aprende". Se eles pelo menos aprendessem...
 Foi um aquecimento interessante desde os últimos exemplos. Não precisei procurar e muito menos me esforçar para conseguir as informações que preencherão a terceira edição. Apesar de bastante crítico, meu objetivo é fazer com que qualquer pessoa que pare suas tarefas para ler o blog possa não apenas rir das frustaões alheias, mas também realizar sua auto-análise. Afinal, amanhã você poderá ser o bobinho apaixonado, e minha próxima vítima aqui!



Caso 10 - Perdeu playson, passa o msn!
 Vamos começar com um casal de amigos meus dando uma super aula de "como destruir seu namoro através da invasão de privacidade". A matricula é gratuita, basta trazer seu acompanhante e fazer exatamente o que o nosso casal referência fez - namoro de criança é isso aí!
 Eles eram amigos inseparáveis, mas como todo caso de amigo feio da garota bonita, ele era afim dela.
Ela, por sua vez, se dizia indecisa - para não dizer que não gostava muito da aparência do moleque.
 Não muito tempo depois a insistência triunfou e a garota cedeu, iniciando rapidamente um namoro.
 O jogo virou: agora ela que é a apaixonada. Quanto a ele? Gosta dela, mas... tem lá seus segredinhos, sabe como é? Ex-namorada enchendo, ficante biscatinha querendo... motivos suficientes para a tão sonhada namorada dele ficar furiosa ao ver mensagens carinhosas - das outras - no telefone dele. Arrumou então um escarcéu maldito por causa de simplórias mensagens e o ignorou durante algumas horas.
 Dica? Eu tenho uma: a confiança constrói, a desconfiança faz o contrário com ainda mais êxito. Mas eles preferiram dar uma segunda chance e tomar a atitude mais ingênua do mundo quando se desconfia de alguém: compartihar senhas da internet um com o outro. Agora ele usa os acesos dela e ela os dele. Parece valido, mas é um exemplo grande de desconfiança para um só romance. Isso não existe!
 Meu comentário sobre o assunto é simples: existe um valor pessoal que vai além do seu relacionamento com qualquer pessoa, seu nome é privacidade. Nem mesmo pessoas casadas devem possuir acesso às coisas da outra, quanto mais um casal de namoradinhos ciumentos. Logo o pau vai quebrar pra valer por causa de qualquer conversinha fiada e desnecessária que possa surgir. Agora que a garota já está com o pé atrás com ele, não vai demorar muito e a casa vai cair - para o namoro e, também, para a antiga amizade.

Caso 11 - Burrice Virtual Opcional
 Aproveitando a deixa sobre internet, entro agora em um caso bastante comum: namoros virtuais.
 Realmente seria um caso comum se a garota em questão não desse crises de choro e tivesse demasiado ciúmes do carinha que ela não conhece, nunca viu, e que possívelmente venha a ser um fake.
 Não há muito o que dizer sobre isso, é uma burrice explicita e fora de discussão. Como pode alguém sofrer e se entregar a alguém que nunva viu, nunca tocou. A menos que seja uma coisa meio divina, tipo Deus, que ninguém vê, mas meio mundo já disse que viu, ouviu e sentiu. Quem sou eu pra duvidar né?
 A boa notícia é que ela - a garota do namorado virtual - transformou o cara em ex-namorado. Isso me deixou muito feliz, até porque eu tenho um carinho muito grande pela pessoa dessa garota.
 Ela é bastante legal e agradável, e agora parece que está ficando inteligente também.
 Se existe um caso de cura da burrice afetiva opcional, possivelmente seja este.


Caso 12 - 3
 Como já cantara Britney Spears: "1, 2, 3. Não somos só eu e você. Estamos à uns oitenta graus, e eu estou presa no meio...". Seria bem assim se o meu próximo exemplo resolvesse pegar todos os seus três namorados de uma só vez. Mas não, ela prefere enganar todos eles e pensar que nunca será descoberta.
 Na verdade ela não é má. A desculpa é que ela gosta dos três igualmente, e como não consegue escolher um só, acaba pegando todos. A solução é prática, mas convenhamos que a moral da guria vai cair no dia que ela quiser um namorado de verdade, até porque muita gente sabe dos rolos secretos dela.
 Piorando a situação, vamos ao quesito da história que contribui para que tudo dê errado. Um dos garotos é uma miniatura de homem feio igual o Diabo e que ela acha... simpático; o outro é um guri que aparenta ter quinze anos de idade, mas que arranca suspiros dela quando para sua moto em frente a escola; o outro é nada menos que o pai do filho dela. Tudo isso numa única briga só pode arrancar muito sangue.
 A mundo é feito de escolhas, e quem quer abraçá-lo por inteiro acaba ficando sem os braços. Essa é mais uma amiga de que gosto muito, e espero que a casa não caia na cabeça dela, pra depois ela sair falando que homem é que não presta, e que ninguém lhe deu o valor que merecia, etc.

Caso 13 - "Meu Bandido Preferido", Parte 2
 Vocês se lembram da garota que tem tara por bandidos, no Burrice Afetiva Opcional II? Ela está de volta já na terceira edição! Depois de apanhar das ex-namoradas do cara e ser tratada por ele como se fosse um nada diante de suas amigas, ela não desistiu. Confiram agora a continuação desse caso impresionante.
 Até onde sei, o bandido sentiu falta do sexo frequente que ela proporcionava e voltou pedindo desculpas. Burra, ela o perdoou e até chegou a pensar que ele lhe daria uma aliança - coitadinha!
 Eles marcaram um encontro no horário de aula dela, mas num relance ela se lembrou de uma prova inadiável e não compareceu ao encontro. Mais tarde, ele não ligou e nem apareceu na porta da escola.

 No dia seguinte, no jornal policial do meio-dia, uma notícia anunciava a prisão em flagrante de um traficante de drogas. Ela não podia acreditar, o sujeito fora preso bem na hora e no lugar onde ela havia marcado o encontro com seu namorado.  
"Peraí... é ele!"
 Chocada, abalada e sem resposta; assim ela ficou durante a semana seguinte. Pensar que poderia ser pega junto com ele enchia sua cabeça com a reação de sua família, que acha que ela é uma garota comportada. Tudo aquilo bateu como uma pancada na cara, talvez agora ela acordasse...
 Não muito tempo depois. Ela já sorria novamente. Rindo e brincando com suas amigas de sempre.


 Curioso, questionei a ela sobre o rapaz e ela - baixando o semblante - respondeu que ele ainda estava preso. Fiz questão de lembrar a ela da sorte que tivera, e por incrível que pareça ela concordava com tudo que eu dizia. Ao fim da conversa, perguntei se o suposto amor que ela sentia pagava toda aquela delicada situação. Você já deve imaginar a resposta - esse é o típico caso em que eu mando tomar no c#!

Casos 14 e 15 - Descobrindo na Prática
 Esses, particularmente, foram dois casos parecidos que me fizeram rir bastante.

 Começando com a ingênua novata da escola, que se apaixonou a primeira vista pelo sujeito mais pagante que conheço. A história dele é simples: um baixinho, feioso e cabeçudo. De repente a mãe natureza resolve crescer o moleque, deixando a cabeça mais proporcional ao corpo. Como havia começado a malhar, não para de levantar a camiseta para mostrar o tanquinho que não terá mais daqui alguns anos.
 Eu disse a ela que não era boa escolha. Mas como mulher não ouve conselhos, ela pegou o pagante, como já dito. Ele desdenhou a novata no mesmo dia. Ela ficou morrendo de raiva de si mesmo por não ouvir meu conselho e agora sai espalhando que o cara beija mal - só pra amenizar a burrice e o fato de ter sito tão fácilmente descartada por um cara que não está em condições de escolher muita coisa.

 Chegando agora ao nosso último, quando uma de minhas amigas pervertidas chegou até mim dizendo estar louca por um certo carinha - famoso nas redondezas. Ela me pediu opinião sobre ele, e eu, sinceramente, disse a ela que ele ainda era só um garoto a procura de diversão, e que, julgando pelo fogo dela, não iria dar conta. Ainda assim, ninguém contaria melhor este caso do que ela mesma.
 "Eu tinha que provar do doce que eu tanto queria. Foi numa festa adolescente que nós dois sobramos e a coisa começou a desembolar justamente do jeito que eu queria. Demos amassos quentes e quando dei por mim eu já estava sem roupa na frente dele. Ele tirou a roupa também e colocou logo a camisinha, para um sexo seguro. Porém, chegando na portinha, não sei o que houve - ele não aguentou. Acabou finalizando entes mesmo de começar. Foi o fim da festa pra mim! Ele lá, todo envergonhado, e eu put# de raiva, tentando manter a educação para não arrancar o pescoço daquele idiota inútil."
RGT

 Poucos dias depois ela me contou tudo, e - logicamente - a parte da história que eu mais gosto é quando ela me pede desculpas por não me ouvir.
Quem escuta bons conselhos, afinal?

 Cômico e trágico. Este é o diagnóstico óbvio da doença para todos os casos. Alguns se curam, outros não. O pior é saber que o remédio está próximo de todos, a chamada vergonha na cara, que ninguém faz muita questão de ter. Ficamos por aqui, e a boa notícia e que novos casos já estão chegando aos meus ouvidos apurados, e saibam leitores: estarão aqui em breve.

Até o burrice IV...

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Rindo da Desgraça

 Calor infernal, estresse, obrigações chatas, impaciencia e todos derivados do péssimo humor. Particularmente, nunca um final de ano foi tão desestimulante como esse. Ainda assim tenho encontrado motivos para rir um pouco.
 Seria perda de tempo comentar sobre o forno humano que se formou na cidade, o calor é tão excessivo que estamos ficando sem alternativas para dar uma refrescada; e todo mundo sabe que a Terra está virando um sorvete na boca do sol.
 Na verdade cansei de vomitar minha indignação aqui no TRAPO, por isso me tornei parte de um processo revolucionário: estou rindo de tudo e todos. Afinal, não haverá dia nesse mundo em que alguém não reclame de alguma coisa.

 O que dizer então quando mendigos bêbados enfeitam as praças dançando como se ninguém os estivesse vendo? Eu afirmo que nenhuma loucura é justificável, pois sendo assim não seria loucura, de fato, mas sim um ato insinuante em função de causas justas. Todos nós temos aquela forma de expresão, nem sempre original mas que sempre procura chamar a atenção dos passantes. Me pergunto então como seria a sociedade sem o bizarro. Ela não teria mais o que criticar; porém seria apenas uma questão de tempo para que um novo alvo fosse estabelecido e atacado com cães ferozes e pedras lascadas.
 Estamos em constante conflito com aquilo que nos incomoda - direta ou indiretamente. Somos bons e tentemos mudar o pensamento de alguns para uma melhor aceitação, mas infelizmente algumas pessoas só acreditam no que julgam justo e de acordo com a sua nova religião. Em situações como essas, dentre outras, - tais como bancar o fodinha através do nulo veneno da internet - conversar não é a melhor opção, mas isso não quer dizer que você deva convencer ninguém no braço - não quero ver sangue em função do meu comentário. Mas o lance é bem mais simples do que parece: ignore; e sorria sempre. Um dia eles crescem e aprendem. O livro mais vendido no mundo nos ensina a não dar nossa palavra aos tolos - Pr 23:9.
 Somos diferentes e nada nos torna idênticos a ninguém - mas se quisermos tentar, que mal há nisso? Portanto qual é o problema de se fazer um cosplay? É chocante demais? Qual é a maldita implicância contra o diferente, ou contra a garota que se destaca por se vestir de forma excêntrica? Onde mora a por#@ da liberdade tão pregada em todo lugar? Talvez eu possua certos preconceitos, mas afinal, sou feito de pensamentos mutáveis, como você. Algo pode simplesmente não me satisfazer como o esperado e por mais que ainda existam aquelas garotas que usam flores na cabeça, camisetas de escola, calças coloridas e rasteinhas, - tudo junto e ao mesmo tempo - não sou obrigado a gostar, mas devo respeitar o jeitinho dela de se exibir, não é mesmo? Sei que tentar convence-la do contrário só me trará problemas.
 O mundo está de pernas pro ar e anda cada vez mais sem sentido. Solução? Beba um generoso gole do seu esquecimento e durma um pouco. Acorde suado pelo contínuo calor e sinta-se ainda pior por saber que seu dia está começando da forma mais tensa possível. Existe um limite de cansaço que alcança níveis inimagináveis, mas diferente do cansaço físico, estamos contaminados pelo mental, num mundo falso-moralista onde tudo é errado, anti-ético ou fora dos padronizados valores de família, amigos e religião.

 É rir pra não se matar!


Cuidado! Ler o TRAPO pode ser...
uma armadilha de Satanás. ♪♫

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Sobre Casualidades

 Se levamos uma vida satisfatória,
por que não podemos idealizar nossa perfeição?

 A pergunta é simples de ser respondida, mas a mesma resposta simples gera uma série de controversias e acaba criando um universo de novas perguntas, como: O que seria melhor? Procurar o que se quer ou esperar que o inesperado nos encontre? Constantemente o casual e o proposital se chocam. Em sua eventual maioria, aceitar as mudanças torna-se bem mais fácil que tentar mudar os fatos. Mas qual é afinal o resultado de uma decisão arriscada? Não seria isso agir sem perspectiva, como se nos entregassemos nas mãos do Sr. Destino?
 Difícil explicar. O casual só é compreendido como experiência.

 Não há uma data ou uma hora certa para acontecer; simplesmente acontece. Situações que não se combinam e que são impossíveis de prever. Suas causas não se justificam aos fins ou aos meios, muito menos aos seus caminhos marcados. Ocorre como se seus passos fossem guiados numa profunda escuridão, lentamente, até que subitamente esbarrasse em outros pés perdidos. A casa das suas reações entrará em vigor e logo você poderá fugir das surpresas, ou enfrentá-las com um sorriso forçado. Sua farsa pode ser convertida em atos maiores e verdadeiros, ou somente tristeza quando não há harmonia.
 Não saber é um óbvio mistério. Descobrir é uma iminente aventura. Olhar sempre para onde está seguindo pode não ser a certeza do plano perfeito. Talvez você não precise iluminar o caminho, pois sua confiança o enganará, assim você não se arrependerá do que pensou que se arrependeria. Que viagem...
 Nossos planos são arquitetados na forma sólida dos nossos pensamentos. Nossa força de vontade, ainda que baixa, existe; e nos motiva a prosseguir e alcançar o objetivo. As ferramentas e o processo que usamos para acertar os ponteiros e caminhar na direção de nossos sonhos são diversos e ilimitados. Nossas perspectivas diante de um mundo de opções podem mudar, ou não, ou apenas sofrer pequenas adaptações. Normalmente buscamos a persistência e costumamos declarar que a esperança é a última que morre. Mesmo caindo e sangrando estamos nos levantando e limpando nossa honra contra os que cospem. Enfrentamos uma árdua caminhada por alcances infinitos, mal esperamos que simples eventos poderão mudar para sempre nossa percepção; e porque não, todos as nossas perfeitas idealizações.
 Uma tremenda confusão se forma na minha cabeça quando o assunto é o presente e o futuro. Particularmente, detesto comentários conservadores sobre a visão ideal do ser-humano pelo mundo. Por outro lado admito não morrer de amores pela opinião liberal. Não, eu não estou em cima do muro. Defendo a idéia de regras que assegurem o bom dia seguinte, mas que ninguém deixe de viver por isso.

 Ninguém, por mais velho que seja, possui um controle absoluto de sua vida. Não sabemos se amanhã estaremos na mesma condição. Queremos sempre mais pois é da nossa natureza sermos competitivos. Mas qual é a razão das competições se nada é assegurado? Sua vitória não ficará de pé por muito tempo. Aonde você esconderá sua vergonha?
 Não será necessário se preocupar, pois talvez seu fracasso também desapareça. Acredito em Deus e no metafísico, mas considero tola a atitude de largar tudo contra a vontade da vida. Nossa capacidade nos permite alcançar, por mais que o resultado não seja garantido por provas inquestionáveis.
 Concluindo: nossos planos são constantemente afetados por algo que não está dentro do previsto. Sua rota poderá mudar, assim como o seu ponto de chegada e partida. Um dia de cada vez, mantenha-se calmo e concentre-se naquilo que existe e se move diante dos seus sentidos. Acima de qualquer suspeita, não se assuste se uma inesperada situação pegá-lo de surpresa e jamais tenha medo de arriscar sua conduta quando sua alma grita por algo necessário.

 Guarde para si mesmo a certeza da maior casualidade humana - a dívida de todos os homens - a morte.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Dias a Menos em Dezembro

 Eis o efeito de mais um domingo chato!

Generalizando...
 Dentro dos meus planejamentos, eu estaria em casa curtindo o tédio. Então um convite inesperado surgiu e quebrou aquele medo de ter mais um domingo monótono com final desesperador - o de saber que no dia seguinte você terá que enfrentar sua rotina, assim como fez durante todo o ano.
 Dezembro. O mês do natal causa em um aumento considerável no nível de preguiça de todo mundo. Essa época festiva de fim de ano chega a ser até emocionante, uma vez que bate de frente contra nossas malditas vidas comuns. Mesmo sem poder definir, um presságio é certo: não irá durar para sempre.
 Absolutamente nada é capaz de preencher a tediante sensação de começar tudo outra vez, sem parar. Depois de uma temporada de grandes festas na sociedade subdesenvolvida, ver pessoas reclamando de suas ressacas e de seus salários baixos é uma constante. Ter de ouvir em todas as fontes comunicativas que o mundo está acabando se tornou parte de um cotidiano ridículo baseado em crenças sem o menor fundamento. A pior parte é saber que nós - jovens ou não - estamos ficando ainda mais velhos e mais independentes para questionar o chato. Felizes ou não, é inevitável não fazer parte dessa maioria, integramos um mesmo sistema e vivemos - ainda que distintos - num mesmo cotidiano.

Particularizando...
 Dar voltas e mais voltas num shopping qualquer não me satisfaz mais. Ainda que minhas companhias sejam agradáveis e que espontâneas risadas sejam arrancadas de mim, minhas pernas estão se cansando da robótica andar e sentar quando não se tem grana - a maioria de vocês deve me entender. Meu cérebro é grandioso demais para serdesperdiçado dessa forma, ele pede por algo maior. Por favor, não tenha uma visão arrogante sobre mim; afinal, seu cérebro também pode ser grandioso, então comece a usá-lo bem!
 Aproveitando a deixa, agradeço aos meus amigos mais chegados por compartilharem comigo uma mesma visão. Juntos temos muito a oferecer, mas talvez essa cidade suja não mereça tanto assim.
 O que estou fazendo afinal? Desabafando diante do término de mais um ano? Talvez. Honestamente, estou respirando fundo agora, alternando entre diversas páginas do navegador, baixando algumas músicas que me agradam e é claro: pensando em boas palavras que definam a agonia de segunda-feira.
 Pulando para a casa da conversa de elevador sobre o clima... o calor que estoura em todas as fases do dia não tem ajudado muito. Estive caminhando em passos lentos pela chuva nesse fim da tarde quando percebi o quanto é possível sentir-se mais suado pelo mormaço que molhado pela garoa. Put# que pariu! De repente rola um apagão no shopping, as portas das lojas são fechadas e a cidade fora encoberta por um cinza obscuro. Magnifico! Como eu sempre imaginei em minhas histórias catastróficas. Só não contava que a dita cuja massa cinzenta que encobria os céus também pesasse sobre a minha cabeça; embora talvez nem mesmo seja ela, mas apenas a minha falta de compreensão desses dias que não fazem sentido algum.
 Tentar compreender as coisas difíceis de se suportar é como dar socos em pontas de pregos. Qualquer sentimento de inferioridade pode causar certos complexos emocionais e sentir-se impotente diante de algo ou alguém pode torná-lo obcecado em ser melhor - ou consumido pela inveja; são exemlos úteis. Talvez essa merda toda não faça muito sentido para você, mas é o que tenho testemunhado.
 Meus dedos que aqui escrevem não me deixam mentir:
existe uma zica em dezembro que deixa todo mundo assim, meio idiota.

 Contudo, uma boa notícia de fim de ano: acabou o campeonato brasileiro!

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Monstros, Covardes e a Maldita Escória

 Quem pensa que bicho feio só aparece em filme de terror está absurdamente errado. Em um piscar de olhos para a realidade, ficar sozinho no aconchego de casa parece bastante interessante quando se toma consciência da demôniolandia que se tornou nossa querida e infame sociedade.
 É um desafio para qualquer indivíduo devidamente maduro e posicionado, encontrar boas pessoas e formar um bom ciclo de amigos. Em toda parte, não interessa onde ou quando, vamos encontrar muita merda que nos enoja. A tarefa é simples mas pode levar tempo, os resultados são sempre instáveis porém provam sua determinação. Certamente, a arte de conviver é uma das mais abstratas e cansativas.

 Paciência é uma virtude chave; não apenas para alcançar metas, mas também para não chutar o pau da barraca e vê-la desabar sobre a sua cabeça. Coragem é o cumbustível que levará você a enfrentar qualquer um e qualquer coisa. Sabedoria é a palavra responsável por estabelecer o equilibrio e o limite, mantendo a bondade separada da ignorância e a malícia a uma distância segura da repentina e irracional crueldade.
 Somos jovens e precisamos de certo tempo e espaço; por muitas vezes uma facilitada na hora de fugir do hospício de nossos desejos. Queremos alguém para exercitar nossa lingua incasável, seja em beijos ou calunias; pulamos as barreiras e quebramos as regras pelo que julgamos certo, estamos caidos em amor e cegamente enganados por ele, criamos as feras mais bizarras sem termos a força de detê-los. Obrigatóriamente enfrentamos o mundo e seus monstros, armados e unidos contra nós.
 São monstros de face cansada e altamente anganadora, muitos destes que abusam de sua dada autoridade. Monstros que não diferem resposta de irônia; seres dignos de pena, que desistiram da vida mas que insistem em perturbar a nossa, como se ver nossa desgraça fosse confortante para o ego abatido deles. Inimigos comuns da vida comum, uma preocupação latente e otária a qual damos demais atenção, pois não sabemos que em breve estaremos em outro nível, e saberemos lidar com tudo isso.
 Lamentavelmente, muitos caem nas garras de tais predadores. Insetos criados de tal forma não aprenderam como fugir e não sabem como evitar; ainda estão presos por dogmas vindos de casa, da escola e da igreja. Mau feitos para a esperteza, os frutos de uma geração que respira mas está morta, morrendo em seguida como se nunca estivessem algum dia vivos. Vítimas do destino incerto, conformados com a desordem. A vergonha da minha geração, jovens sem atitude e de inútil iniciativa. Bastardos.

 Dentro de minha mentalidade, não consigo manter uma relação com monstros ou com covardes, é por isso que tiro meu time de campo quando o jogo não me interessa; afinal, não mereço mais purrinhação do que já sou obrigado a aguentar. Gritar e dizer que estou cansado é hipocrisia, a luta me faz bem; acredite, pode fazer bem à você também. Eles ficaram mais uma vez para trás, cuidando de suas vidas pacatas, esperando a morte bater à porta e levá-los para o paraíso, ou a ilusão de um, que definitivamente nenhum anjo ou pobre pecador merece entrar.
 Sobrevivendo até aqui, minhas idéias explodem como nunca! Enquanto houver fôlego vou detonar com essa escória maldita. Não é uma rebelião, seja ela interior, talvez; mas não um motim para tocar fogo no esconderijo dos idiotas, por mais que a idéia seja tentadora. Mudanças forçadas do meu hábito não me tornarão melhor, apenas mais aceitável, e caso queira saber:

"Eu não ligo se alguém não se importa,
assim como não me importo com quem não se liga."
Sérgio Bitencourt

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Prepotentes

 Não adianta. Por mais que você tente esconder a verdade e se mostrar o rei dos humildes, sempre haverá um momento em que a casa vai cair pro seu lado, como um balde de água fria jogado sobre a sua cabeça.
 Como seres capazes de evoluir, gostamos de aprimorar nossas perícias e, mesmo sem a severa intenção de humilhar nossos rivais, mostrar aos outros o quanto somos bons e o quão alto podemos alcançar. Para muitos, inclusive pra mim, descobrir uma nova técnica, habilidade ou conhecimento é algo que nos convida a demonstrar para o mundo como se faz, e com capricho. Afirmo pois possuo grande afinidade com a escrita, e caso eu realmente não tivesse a intenção de mostrar minha arte, este blog jamais existiria.
 Somos prepotentes e orgulhosos, sem exceção. O que nos difere, de fato, é o nível ao qual levamos a sério este parâmetro. Ser melhor ou pior não é questão de escolha, mas de esforço. A superação de limites e a quebra de barreiras - físicas ou psicológicas - são ideais alcançados apenas pelos fortes. O velho ditado que afirma que "ninguém é melhor que ninguém" está errado. Caso você concorde com tal expressão, no mínimo está vivendo uma má fase, ou então não é capaz de superar suas forças - nem pelos outros, tão pouco por si mesmo e por sua fraca alto estima.
Não pretendo deixar ninguém abatido. Mas concorde comigo que seria um passo interessante para a humanidade se muitos aceitassem que estão perdendo diante de um futuro promissor. Logicamente, a sociedade precisa de profissionais sem instrução que prestem serviços aos mais privilegiados, mas não é regra que você deve ficar bem onde parou para nunca evoluir. Existe um mundo repleto de oportunidades, muitas sendo abraçadas com vigor, outras sendo porcamente desperdiçadas.
 Primeiramente, analise se o objeto em questão é a favor da sua vontade. Sendo assim, estude suas possibilidades da melhor maneira, saiba localizar suas idéias e organizá-las de forma segura e precisa. Identifique aqueles que querem ver sua derrota e use a diplomacia contra eles, nada provoca mais alguém que um candidato educado e bem firmado em seus ideais. Por fim, trabalhe e derrame seu suor pela causa que precisa vencer, não permitindo que ninguém tome seu merecido lugar. É importante lembrar que o silêncio faz bem, e que seria humilhante demais ser derrotado à um passo da glória; por isso se for abatido e não houver mais chances, aceite e tente outra vez. Jamais se deixe enganar com falsas promessas e não caia nas agudas perdas de tempo espalhadas pelo bairro em cada esquina. Caso tentem te ofender, o chamando de arrogante, prepotente ou adjetivos próximos a este, abaixe sua cabeça e guarde suas palavras, deixe que suas atitudes respondam, ou apenas que o tempo os ignore.
 Assim me acostumei a sobreviver às tentativas alheias de me abater. Vivo tentando passar o que aprendo à frente, mas são poucos que conseguem acompanhar meu ritmo e seguir pela minha visão - olhando para a verdade sem dispensar a beleza do surreal. Caso você, que está lendo, acha que sou mais um inútil com um blog nas mãos; lamento pelo seu infortúnio. Talvez me desafiem e vençam; ou talvez não. Apenas dê limites às asas da sua prepotência, e tente não cantar vitória enquanto eu ainda estiver de pé.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O Que Você Anda Ouvindo?


 Pare por um momento e reflita sobre algo que todas as pessoas do mundo gostam. Você claramente me responderia que essa tal coisa não existe, mas eu descordaria de você. Todos os seres viventes se identificam com a música. A regra vale das plantas (como no caso das samambaias), passando pelos animais e chegando até nós, seres-humanos, que dominamos o privilégio de escolher o que ouvir.
 A pergunta já foi feita. Se parasemos para bater uma boa prosa e o assunto fosse música, na certa eu lhe perguntaria o que você curte ouvir e o motivo de curtir tal ritmo. Aqueles que se julgam ecléticos, eu os julgo como perdidos; afinal, que poder de escolha você tem se nem ao menos consegue selecionar o que escuta? Como bom escritor, gosto de argumentos convincentes, e também tenho os meus. Não posso te convencer a gostar de algo ou desgostar, mas abusarei da minha influência para salvar os seus timpanos.
 Tenho muitos amigos que reclamam sobre o repertório das rádios em geral. Convenhamos que rádio precisa de audiência e por isso deve tocar o que toca - para quem não entendeu, uma rádio deve tocar o que está em alta. Dependendo do estilo da rádio, o genêro musical pode variar, mas dificilmente você ouvirá uma música de bela letra ou que passe à frente uma essência. A agressiva juventude impõe ritmos pesados e letras abusivas, nem que seja só para alimentar ainda mais seus jovens desejos.
 Declarar os diversos gêneros músicais que tocam hoje seria uma tarefa desgastante. Existem pessoas que ouvem música como nostalgia; em outros casos, para se apaixonar; alguns gostam de músicas excêntricas pela oportunidade de extravasar o espírito; outros curtem um som mais prepotente, que eleve o ego e a alto-estima (meu caso); outros ouvem o que toca - estes são coitados viciados pela pobre modinha.

 Um detalhe importante antes de curtir uma música é saber o que ela lhe fala e qual é seu objetivo diante da letra e melodia. Ligue sua rádio agora e ouça a morte do amor próprio em Love The Way You Lie, se você preferir poderá também ouvir as declarações de um canalha em Break Your Hearth, viajar num Teenage Dream ou bancar o Billionare, ou se sua vida estiver muito fudida, você pode chutar o pau da barraca e puxar um fumo Do Lado de Cá.
 Não se preocupe, pois a listagem da moda sonora não terminou. Pra Você Lembrar, fique à vontade para contemplar As Cores do manicômio desses lixos intitulados "happy rock".
 Letras pobres, melodias comuns, harmonia extinta e uma juventude jogada numa privada social chamada modinha. Nada me frita mais a cabeça que ouvir um bastardo se intitulando emo, colorido, desbotado, stronda, ou seja lá o que for que a maldita juventude inventa e ainda tem a cara-de-pau de chamar de tribo.

 Uma garota que produz seu vídeo de quinze anos com a música Sexy Bitch sinceramnete não merece respeito, o pior de toda a situação é vê-la reclamando que não encontra um namorado decente que lhe dê valor e que queira algo mais dela, algo além do prazer da carne; se pelo menos ela desse valor a si mesma...
 Inspiração hoje é qualquer palavra fantástica ou astrológica transformada em música sertaneja. Meteoro e Adrenalina no meu mundo musical seriam letras exatas de um bom rock'n'roll nacional, mas a realidade contradiz. Duvido que os autores de músicas como Fada, Coisas Exotéricas, dentre outras, saibam o verdadeiro significado cultural e filosófico de criaturas mitológicas ou do exoterismo em si. Minhas criticas parecem bobagem mas não são. Compositores não escrevem mais por boas motivações ou idéias, mas apenas para rimar com algo que possívelmente vai estourar em rádios comuns das donas-de-casa.
 O dia do rock mal foi comemorado esse ano no Brasil. Afinal, que rock? Esse cara já morreu faz tempo por aqui. Forró, samba e pagode são frutos da cultura brasileira que perderam suas essências há tempos. Ritmos como axé e funk e rap "irracional" são para mim músicas que extravasam a vida medíocre da maioria dos brasileiros. A música sertaneja se tornou universitária e acabou criando uma horda de artistas sem expressão e criatividade. Outros ritmos são os alternativos, esse foi o melhor nome que encontrei para grupos de nomes que parecem piadas, além de produzirem um som patético e vergonhoso.
 Essa é a realidade musical. Este é o fruto cultural da nação. Esta é a herança que você deixará para os seus filhos. Pergunte a si mesmo se é justo? Procure o acréscimo que tanta música banal soma na sua curta vida. Analise as chances e conclua de vez se vale a pena jogar fora as descobertas de um universo artistico bom e desconhecido pelas correntes da mídia. Essa é minha critica e minha mensagem para os seus olhos, talvez para a sua consciência, espero que para os seus ouvidos.


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